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Arianespace terá dois novos lançadores em 2009 PDF Imprimir E-mail

Veja a matéria de André Mileski, sobre as novidades no setor espacial

O Centre Spatial Guyanais (CSG), mais conhecido como centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, ao norte do Brasil, deverá em breve ser a base de lançamento de dois novos foguetes espaciais.

Tradicionalmente conhecido como o centro de lançamento dos foguetes da família Ariane, atualmente representada apenas pelo Ariane 5, no ano que vem o CSG será palco de duas estréias de lançadores: uma versão modernizada e mais capaz do já provado Soyuz russo e o mais novo foguete europeu, o Vega.

 

 

Soyuz

O Soyuz é o foguete mais testado do mundo, já tendo sido realizadas cerca de 1.700 lançamentos da família, inclusive missões tripuladas. Sua operação a partir de Kourou foi objeto de acordo intergovernamental celebrado entre a França e a Rússia em novembro de 2003, numa iniciativa estimada em 344 milhões de euros, majoritariamente financiada pela parte francesa

Em Kourou, será usada a versão mais moderna do Soyuz, a ST, que contará com um sistema de controle de vôo digital e um terceiro estágio mais potente, equipado com propulsores russos RD-0124, que adicionará um tempo de queima de 34 segundos superior à propulsão anterior, baseada no também russo RD-0110. Essas inovações ampliaram a performance do lançador russo capaz de lançar cargas úteis de até 3.150 kg em órbita de transferência geoestacionária, e 4.900 kg em órbita hélio-síncrona, a 820 km de altitude.

Em 20 de setembro, foi assinado entre a Arianespace e a Roscosmos (agência espacial russa) um contrato prevendo a construção dos primeiros dez Soyuz ST, negócio avaliado em cerca de US$ 500 milhões. Até o momento, a carteira de missões do Soyuz ST a partir do CSG já conta com dez missões confirmadas, incluindo lançamentos de satélites da Globalstar, do Ministério da Defesa da França e de empresas da Austrália e Canadá, entre outras.

 

 

Vega

O foguete Vega (Vettore Europeo di Generazione Avanzata) representa o mais importante passo dado pela Itália na área de lançadores, responsável por cerca de 65% de todo o projeto, iniciado em 1998 pelas agências espaciais da Itália (ASI) e Europa. A principal parceira industrial do projeto é a ELV S.p.A., joint-venture entre Avio e a ASI, mas indústrias da França, Espanha, Bélgica e Suécia, entre outros, também estão envolvidas.

O Vega é um lançador de quatro estágios (os três primeiros de combustível sólido e o último líquido), com capacidade de inserir cargas úteis de até 1.500 kg em órbitas circulares a 700 km de altitude. Seu primeiro vôo está previsto para novembro de 2009, e outras cinco missões de validação, dentro do chamado projeto VERTA (Vega Research and Technology Accompaniment) deverão ser realizadas a partir de 2010.

 

 

Uma família completa

Quando estiver completa, a família de lançadores da Arianespace terá integrantes focados em diferentes nichos do mercado: o já consolidado Ariane 5, para lançamento de cargas úteis de grande porte tanto em missões de órbita baixa como de transferência geoestacionária, o de médio-porte Soyuz ST e o de pequeno-porte Vega, fazendo jus ao mote adotado pela companhia, de lançar cargas úteis de "qualquer massa, para qualquer órbita... e a qualquer momento."

Segundo estimativa da própria Arianespace, quando os três veículos estiverem comercialmente operacionais, serão realizadas aproximadamente dez missões anuais, consistindo de uma média de sete vôos do Ariane 5, dois do Soyuz ST e uma do Vega.

A Arianespace foi fundada em 1980 como a primeira provedora mundial de serviços comerciais de lançamentos espaciais, tendo sido responsável até hoje por mais de 260 cargas úteis inseridas no espaço, tendo outras 42 missões em sua carteira de pedidos. A estrutura corporativa da empresa é um grande exemplo das iniciativas de integração européia que marcaram aquele continente desde a segunda metade do século XX, com 24 acionistas (agências e indústrias espaciais européias) de dez diferentes nacionalidades.

 

Implicações para a Alcântara Cyclone Space

O Brasil possui um dos mais bem posicionados sítios de lançamentos espaciais do mundo, localizado no município de Alcântara (MA), e desejoso de se beneficiar desta vantagem geográfica, firmou com a Ucrânia um acordo para a comercialização de lançamentos do foguete ucraniano Cyclone 4, versão ainda não lançada da família Cyclone.

O Cyclone 4 é um foguete de propulsão líquida de médio porte com capacidade de inserção de cargas de até 1.800 kg em órbita de transferência geoestacionária, e de 5.500 kg em órbita baixa (500 km). Apesar de ter performance inferior ao Soyuz ST, pode competir com o foguete russo em alguns nichos de mercado.

A Alcântara Cyclone Space, empresa binacional constituída pelos governos do Brasil e Ucrânia para a exploração comercial do Cyclone 4, tem demonstrado algum interesse em lançar satélites menores para órbitas baixas, o que em alguns casos colocaria o lançador ucraniano como competidor do Vega.

Ironicamente, a italiana Avio, uma das principais empresas envolvidas no projeto do Vega foi parceira no consórcio que negociou com o governo brasileiro o acordo do Cyclone 4, tendo se retirado logo após a oficialização do projeto do lançador europeu, em 1998. A relação espacial entre a Itália e a Ucrânia, no entanto, ainda existe: os propulsores do quarto estágio do Vega são fabricados pela ucraniana Yuzhnoye, também envolvida com o Cyclone 4.

Curiosamente, apesar de no futuro se transformarem em competidores, o Brasil colaborará com as missões dos novos foguetes da Arianespace. Desde 1977, todas as missões espaciais lançadas do CSG têm determinadas etapas de seus vôos rastreadas pelo Centro de Barreira do Inferno (CLBI), localizado em Natal (RN). O acordo foi renovado em 2004 e prevê a continuidade dos serviços de rastreio até outubro de 2012, inclusive dos foguetes Soyuz ST e Vega.

 

 

 

 

 

 

 
 

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