A FIDAE, em sua 15ª edição, continua crescendo


Por Cristián Marambio, correspondente no Chile

 

A 15ª edição da FIDAE foi realizada pela segunda vez no aeroporto internacional de Santiago, no Chile, e, nesta ocasião, mostrou diversas melhorias. Aumentaram-se a quantidade e a qualidade dos acessos à feira, com um número maior de vagas para estacionamento e os acessos ao recinto interno estavam mais ágeis, mesmo com um rigoroso nível de segurança.  

A FIDAE sempre surpreendeu seus expositores e visitantes com alguma surpresa e desta feita não foi diferente. Desde anos, os céus santiaguinos vêm sendo cenário para evoluções de aviões como o Mirage 2000, Gripen, F-16 e Sukhoi. Em 2008, a chegadodo Airbus A-380 gerou expectativas em nível nacional e a aeronave voou diariamente mostrando suas versatilidade e manobrabilidade, dignas de um monomotor.

A América Latina e o Chile, em especial, continuam a ser um mercado interessante. Se bem que o Chile já optou pelo F-16, a Argentina, o Brasil e o Perú continuam com requerimentos para renovar seu potencial aéreo e existem necessidades específicas na área de Defesa que não podem mais ser adiadas. Aliás, mesmo se tratando do Chile, as declarações do general Ricardo Ortega, comandante da Força Aérea do Chile (FACh) destacando a necessidade de um terceiro esquadrão de F-16, abriram novas possibilidades de vendas ao país. Por outro lado, a FACh está decidida a incorporar um treinador avançado e ampliar a sua capacidade de transporte estratégico.

Isso ficou claro na FIDAE 2008 cujas estatísticas foram animadoras: 434 expositores (contra os 379 da edição anterior) de 43 países (40 em 2006). À FIDAE  chegaram, pela primeira vez, Marrocos, Paraguai, Sérvia e Portugal. Foram exibidas em torno de 120 aeronaves,  sendo visitada por 37 mil profissionais, 42 presidentes de companhias aéreas, 25 diretores de aeronáutica civil, 12 presidentes de agências espaciais, 80 delegações, cerca de mil jornalistas e mais de 120 mil pessoas nos dias abertos ao público.

 

A  PUJANTE EUROPA

A indústria de defesa européia esteve muito ativa na Chile. O grande destaque ficou para a EADS que segue colhendo êxitos no Chile. Com a FACh, leva adiante o programa A-310 MRTT, que contempla a incorporação de dois exemplares, embora existam dificuldades, principalmente pela escassez de células em bom estado no mercado de segunda mão. Em paralelo vão sendo desenvolvidas as diretrizes do programa do C-295 Persuader equipado com o sistema  FITS. Trata-se de oito exemplares para a Aviação Naval da Armada Chilena, nas versões antisubmarino, patrulha marítima e transporte.

Já a KMW se encontra em pleno processo de entrega dos Leopard II, um modelo A4 modificado segundo os requerimentos específicos do Exército do Chile. Estão equipados com motor MTU adaptado para operar em alturas de até 4.000 metros acima do nível do mar e possuem novos sistemas de comunicações da israelense Tadiran. Até o momento, dois lotes (12 e 10 carros) foram entregues e são esperados outros 10 veículos brevemente. Os 140 Leopard II adquiridos estarão todos no Chile até 2009. Destes, 12 serão usados como fontes de reposição e armazenados pela FAMAE e o Exército irá operar os restantes 128 nas recentemente criadas brigadas encouraçadas.Na FIDAE aconteceu a primeira aparição pública de um Leopard IIA4 do Exército do Chile. A KMW também apresentou os Gepard, o sistema de Artilharia PzH 2000 e o lança-pontes Leguan.  A Rheinmetall que indiretamente está no país com o canhão L44 dos novos Leopard II, mostrou seus projetos de modernização para o IFV Marder. A empresa está entregando ao Exército Chileno munição de energia cinética DM 33 A2 nova e munição multi propósito modernizada proveniente dos estoques do Exército Alemão. A Dynamit Nobel Defence chegou à mostra com sua gama de sistemas portáteis, entre eles o  PZF 60, o Panzerfaust 90 e os Panzerfaust 3, 3-T  e o novo IT 600 com alcance de 600 metros.

A espanhola Instalaza exibiu o conhecido lança-foguetes C90  e o efetivo ALCONTAN-100, destacando-se a munição de morteiro MAT-120, com submunição que incorpora mecanismo de desativação e auto-destruição. No pavilhão da Espanha também estavam o INTA. Envolvido nos projetos EF2000, EJ200 e A-400M e a ITP, uma empresa dedicada à reparação de motores aeronáuticos. A General Dynamics Santa Bárbara Sistemas levou as suas cinco linhas negócios:  veículos blindados, desesenvolvimento e fabricação de veículos blindados sobre esteiras e rodas,  sistemas de armas, munição e mísseis e Pesquisa e Desenvolvimento. Hoje, o programa mais significativo da empresa é a fabricação, sob licença, do Leopard II E para o Exército Espanhol.  

A suiça RUAG, depois de finalizar a entrega dos primeiros 24 M-109 para o Exército do Chile, está negociando um segundo lote negociando un segundo lote do obuseiro autopropulsado com Santiago. Entretanto, deverá ter a concorrência do estadunidense Paladin.

Os interessados no novo treinador avançado da FACh tiveram de contentar-se com uma maquete do Pilatus PC-21, o qual, junto com o  A-29 Super Tucano, da Embraer seríam os dois candidatos a um requerimento, não confirmado, para substituior os A-37 e A-36 da FACh. Não está claro ainda para onde a FACh deseja ir neste caso, mas segundo se entende, o novo programa de treinamento dos pilotos chilenos se iniciaria  com o T-35 Pillán  para logo chegar ao novo treinador, que deixaria os alunos aptos para a conversão a aviões de combate. Para tanto, o novo treinador deve garantir a simulação de aviões de combate de última geração, simplificando, no caso chileno, a passagem para o F-16 biplace. Este novo esquema vai de encontro à necessidade de um novo grupo de F-16 que, finalmente, substituiria os Cessna A-37 e cobrira a baixa dos  CASA-ENAER A-36 Toqui. Com respeito a este último, o Grupo N°1 está operando uma dezena de exemplares, todos elevados ao padrão Toqui, enquanto que os A-36 (C-101CC) estão armazenados e os T-36 (C-101BB), baixados. A EADS ofereceu um pacote logístico que  permitiría recuperar os A-36, mas isso é uma questão que, obviamente, está ligada à decisão sobre o novo treinador. E, quanto à oferta do A-400M ao Chile, o grupo europeu não a considera um assunto encerrado, mas postergado.

O pavilhão italiano, sob os auspícios da AIAD, destacou uma série de exitos. Nesse sentido, cabe assinalar os enormes esforços da indústria italiana para recuperar seu espaço no mercado chileno e na América Latina, em geral. As quase duas décadas de ausência ficaram para trás. Como exemplo tangível, depois dos vitoriosos desempenhos da Selex e  WASS, destacava-se na feira um helicóptero Agusta 109E Power, dos Carabineiros do Chile. Quatro unidades já se encontram em operação e devem ser as primeiras pois as projeções apontam a substituição de toda a frota de asas rotativas dos Carabineiros nos próximos cinco a seis anos. Igualmente significativo foi a assinatura do MoU (Memorando de Entendimento) entre a ENAER e a Alenia Aermacchi, do grupo Finmeccanica. Os termos do MoU consideram a fabricação e venda na América Latina dos avançados M-346 e M-311. Para a ENAER, o acordo também se traduz em transferência de tecnologias avançadas e atividades de pesquisas em conjunto.

Como já é usual, a MBDA mostrou sua ampla variedade de mísseis de muito sucesso, comprovado pelos resultados: um volume de negócios de US 4,5 bilhões e mais de três mil mísseis produzidos em 2007. Com a volta dos fabricantes estadunidenses ao mercado chileno, a MBDA enfrentará uma disputa acirrada e a modernização dos Sea Wolf de las fragatas Tipo 23 da  Armada do Chile, deverá ser um meio para a manutenção de um segmento do mercado, bem como trabalhos semelhantes para os Mistral em serviço no Chile e os AM-39 Exocet da Armada.  

A Eurocopter não faz mais que recolher bons resultados. Graças à sua subsidiária de Santiago, que emprega 55 pessoas, conseguiu vender 15 helicópteros em 2007, e durante a mostra, outros contratos foram assinados. Na FIDAE 2008 haviam modelos do grupo como o EC-135 T2, EC-130, AS-365-N3 e  AS-350 B3 Ecureuil.

Os holandeses da Vision Waves estão implementando no Chile o seu Sistema Integrado de Suporte Logístico. Denominado Odyssey, contempla a gestão da frota de F-16 C/D e MLU, além de dois sistemas de armas, com ligação entre a Holanda, Santiago, Antofagasta e Iquique, reduzindo as horas/homens por hora de vôo, reduzindo os estoques de peças de reposição e incrementando a disponibilidade dos aviões. Paralelamente, a Vision Waves desenvolveu um sofisticado sistema informatizado de treinamento e manutenção dos F-16, tridimensional, que permite reduzir drasticamente a manutenção e o conserto dos caças.

De muita satisfação era o ambiente encontrado no estande da SAAB depois da vitória do Gripen na Tailândia. Por enquanto são seis moplaces e dois biplaces, e esse novo contrato se soma aos firmados com a África do Sul, República Checa e Hungria. A SAAB Bofors Dynamics levou para Santiago o sistema Manpads RBS-70, adotado por 21 países e particularmente adequado para certas necesidades da área. Junto às empresas belgas, um dos grandes expoentes era um exemplar do YPR 765 modernizado pela Sabiex  e agora equipado com novo sistema de comunicações da Tadiran. Por sua vez a FN Herstal pôs em evidência a metralhadora pesada M-3M, calibre 12.70/.50, derivada da Browning, que pode ser instalada em helicópteros e outras plataformas aéreas ou navais, possuindo uma efetividade surpreendente graças aos seus 2.000 metros de alcance e quase 1.100 tiros por minuto.  

 

ESTADOS UNIDOS E CANADÁ

Com a adoção do F-16 pelo Chile – e com vários deles presentes na FIDAE – os Estados Unidos tinham motivos particulares para montar uma poderosa demonstração industrial na feira chilena. De fato, o Pavilhão Internacional C abrigou nada menos que 90 companhias estadunidenses e canadenses, apoiadas pelo Serviço Comercial dos Estados Unidos.

Asatisfação também era a tônica na Bell Helicopters depois da assinatura do contrato de compra de 12 Bell 412 pela FACh, que vão se somar aos quatro já em serviço e, paulatinamente, vão substituir os UH-1H. O fabricante exibiu também um Bell 407 e um  UH-1H Huey II, do Exército Argentino. A presença da AM General não fez mais que confirmar o sucesso do Hummer na América Latina. A incorporação dos M-998 no Exército e na Infantaria da Marinha do Chile e os resultados de seu emprego no Haití atestaram a versatilidade deste veículo.   

Na Boeing, a enfase era para o programa de modernização da aviônica dos C-13- Hércules. Este ano, 222 exemplares da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) foram contemplados com financiamento para tal fim, e mais outros 120 em 2009. O processo compreende basicamente a instalação de seis displays multifunção coloridos e a substituição e atualização da aviônica. Essa modernização está sendo promovida na Argentina e no Chile, até mesmo de modo mais modesto. Como novidade ( nem tanto) foi a notícia de que a Boeing estaria oferecendo o F-18 Super Hornet ao Brasil, dentro do FX-2, e a um belo preço; cerca de US$ 49 milhões por unidade. No que se refere a armamento, a empresa segue com o processo de entrega das bombas JDAM e um pacote logístico para os Harpoon utilizados no Chile.

A Lockheed/Martin, evidentemente, mostrou um modelo de F-16C nas cores do país anfitrião. Neste se apresentavam detalhes do radar APG-67, escolhido para equipar o avião KAI T/A-50, da Coréia do Sul, e que,  pelas suas pequenas dimensões, versatilidade e avanços introduzidos, o fazem ideal para a utilização em uma série de aeronaves. Uma das maquetes o mostrava dentro do  AT-63 Pampa, sendo ainda sugerido serem ideais para aumentar as capacidades dos F-5. Pode ser empregado nso modos ar-ar e ar-superfície. Visando a segurança marítima, foi mostrado em detalhe o sistema de detecção e alerta APS-145, bem como um completo E-3D AWACS, da  Royal Air Force. Na área tática, a Lockheed mostrou detalhes do radar TPS-79 3-D, de alcance médio, com alta mobilidade e deslocamento rápido, com alcance entre os 148 e 190 quilômetros a uma altitude de até 10 quilômetros.   

A Corporação AAI, da Textron Systems, mostrou os veículos aéreos não tripulados (VANTS)  Shadow-200 e Aerosonde. O Shadow-200 é uma versão tática, com alcance operacional entre 5 e 7 horas e raio máximo de 4.572 metros. A AAI está propondo um sistema único de controle terrestre com capacidade de operar todos os VANTs das Forças Armadas dos Estados Unidos, ou seja, os Sky Warrior, Hunter, Eagle Eye, FIRE Scout, Pioneer, AAI Aerosonde  e o  AAI Shadow. 

Outro grupo estadunidense, a Raytheon apresentou seus sistemas ESMAW, um lança foguetes multiuso com alcance de 500 metros, junto com o Javelin. Muito interessante foi o sistema de defesa de ponto Phalanx e metralhadoras M61A1, de alta cadência de fogo. O Phalanx, na realidade, é um container com uma antena de busca, outra de acompanhamento com lóbulos laterais baixos, um FLIR estabilizado, uma câmera de TV (opcional), o canhão de seis tubos e um pedestal com a munição. O Phalanx já foi adotado pela Armada do Chile e, em sua versão terrestre, montada sobre um trailer, é oferecido para defesa de lugares de alto valor estratégico.

 

ISRAEL

Como em todas as feiras, o pavilhão de Israel é sempre muito concorrido. A recentemente privatizada IWI (antes, uma divisão da IMI) mostrou sua família completa de armas. Entre elas, a estrela foi o fuzil de assalto Tavor, de 5,56mm, desenvolvido sob o conceito bullpup , como substituto natural do Galil. Este, por sinal, só continua sendo fabricado em Israel na versão sniper e nas versões de assalto, na Colômbia. A IWI também exibiu a conhecida metralhadora leve Negev, as cada vez menores Mini UZI e Micro UZI, de apenas 2.2 kg e a formidável pistola Jericho.

A Rafael levou seu último exemplar do conhecido míssil Python. Trata-se da versão 5 que, como novidade, incorpora um novo buscador formador de imagens com banda dupla de onda, sistema de navegación inercial (INS) e um novo e avançado sistema de contramedidas infravermelhas  (IRCCM), sendo similar e compatível com o Python 4. Da mesma forma que a bomba Spice, em que pese o hermetismo das autoridades, T&D entende que já se encontra em serviço no Chile, tal como os mísseis A/T Spike, amplamente distribuídos a unidades de Infantaria e meios blindados do Exército local.

Um novo radar de abertura sintética e indicação de alvos terrestres móveis, o EL/M 2055D foi uma das atrações da ELTA, e pode ser utilizado por VANTs. Dentre os muitos VANTs presentes na FIDAE, a Elbit também compareceu com o seu Hermes 450, com autonomia máxima de 30 horas, de olho, como as demais empresas em um mercado fértil pois abrange não só as Forças Armadas, mas ainda a luta contra o narcotráfico e a imigração ilegal. A munição Lahat, da IAI, chamou muito a atenção e foi amplamente avaliada pelo Exército do Chile. Em calibre 105mm, pode alcançar a 8.000 metros e foi testada  em diversos sitemas de armas locais.  Não passou desapercebida a Lahat de 120mm, compatível com o canhão Rheinmetall L44 de 120mm. A não muito conhecida Rabitex comemorou uam importante venda aos Carabineiros do Chile de 14.800 capacetes balísticos, em kevlar, de corte muito parecido ao do PASGT estadunidense. Pesando apenas 1,400 kg, o novo capacete é resistente a munições calibres 9mm, .32 e .38 e a potente .44.

 

RÚSSIA

A Rosoboronexport, corporação estatal russa encarregada de representar mais de 700 empresas do complexo industrial de defesa de 56 regiões daquele país, e cujo volume de exportações em 2007 remontou a mais de US$ 6 bilhões , apresentou-se na FIDAE 2008 com material militar da mais alta tecnologia e programas correlatos. Seu objetivo imediato é reposicionar-se na América Latina, onde a preferência por produtos russos ganha um ritmo impressionante.

A Sukhoi  esmerou-se em mostrar as vantagens  de sua linha de caças Su-27SKM FlankerB e Su-30MK2 Flanker G – em serviço naVenezuela –  e o Su-33 Flanker D, bem como o Su-35 Super Flanker, um caça da denominada  geração 4++, desenhado para missões de superioridade aérea e ataques a objetivos terrestres em qualquer condição meteorológica, de dia ou a noite. ( ver T&D nº 112). Sua produção em série e as entregas começam em meados de 2010.

Por sua parte, a Irkut – que fabrica componentes para o Airbus A-350 – apresentou o avião de treinamento avançado Yakolev Yak-130 (112 encomendados pela própria Rússia e 16 pela Argélia), e o avião anfíbio Beriev Be-200, o qual pode ser configurado para transporte, patrulha marítima ou luta contra incêndios.

A Corporação de Mísseis Táticos (JSC) - criada em 2002 e que agrupa dois dos mais conhecidos fabricantes de mísseis, Vympel e Raguda – exibiu os mísseis ar-ar de curto e médio alcances R-27 (AA-10 Álamo) e R-73E (AA-11 Archer), sem faltar o RVV-AE R-77 (AA-12 Adder), do tipo “dispare e esqueça”, que pode atingir alvos aéreos a distâncias compreendidas entre os 50 e 80km. Ainda assim, a JSC levou ao Chile maquetes dos mísseis anti-navio KH-35E (3M-24E) e KH-59MK (alcance de 285km), ar-superfície KH-25ML, KH-25MSE/MAE e KH-29L/T, de curto alcance e guiagem TV/laser, além dos KH-31, de alta velocidade, em suas versões anti-navio (31A) e anti-radar (31P).

Em matéria de helicópteros, a Rosoboronexport enfatisou os bem conhecidos Mil Mi-171V-5/Mi-171SH Hip H, que se prevê venham a participar da concorrência da FACh para um novo helicóptero médio, Mi-26/T2 Halo e Mi-35M2 Hind F. Ainda neste campo, foi oficialmente confirmado – a pedido do Ministério da Defesa do Peru – que se iniciaram negociações para a instalação de centro de manutenção e reparos dessas aeronaves em Lima, o qual vai permitir, entre outras coisas, a redução de custos e tempo empregado e, é claro, transferência de tecnologia.

Nos sistemas de defesa antiaérea, aglutinaram os interesses as maquetes do TOR-M1/M2E, destinado a interceptar aviões, helicópteros, mísseis de cruzeiro e VANTs em altitudes médias, baixas e extremamente baixas e a do Buk-M2E (SA-17 Grizzly), capaz de destruir alvos aéreos ainda que em condições de interferência eletrônica, interceptar mísseis e armas guiadas ou alvos em terra ou no mar. Ambos foram oferecidos ao Peru e à Venezuela. A eles se juntaram o  S-300PMU2 Favorite (SA-20 Gargoyle) – alcance de 3 a 200 km contra aeronaves e de 5 a 40 km contra misseis balísticos. Foram ainda promovidos  radares de vigilância como o Kasta-2E2, que detecta alvos em baixa altura e a 95 km  e o Nebo-SVU, possuidor de um raio de operações entre 270 e 360 km  e é imune a mísseis anti-radar.

Na área de armamento terrestre havia abundante informação sobre o carro de combate T-90S e sobre os VCI BMP-3, BTR-80 – que vem sendo fabricado na Colômbia pela COCTEMAR-  e o BTR-90 (8x8), assim como a completíssima gama de fuzis Kalashnikov AK-101/AK-102 de 5.56mm, AK-103/AK-104 de 7.62 x 39mm,  fuzis sniper  SVD Dragunov (dos quais a Venezuela está em processo de receber mais de 5.000 exemplares), metralahadoras PKM/PKMS de 7.62 x 54R e Kord de 12.7mm, lança-granadas RPG-7V1 de 40mm e RPG-29 Vampire de 105mm – desenhado para destruir blindagens reativas – e uma variedade de munições. Houve a apresentação dos sistemas anticarro de última geração 9K115-2 Metis-M (AT-13 Saxhorn) e 9M133 Kornet-E (AT-14 Spriggan), de 2 e 5 km de alcance e que podem penetrar entre 950 e 1,200mm de blindagem. O Exército do Peru tem atualmente um curso uma licitação para substituir os já obsoletos 9K14M Malyutka (AT-3 Sagger B), onde os dois sistemas russos competem com o Spike MR, da Rafael.

Finalmente, a Rosoboronexport expôs um diversificado material naval como as fragatas Guepard 3.9 (Projeto 11661) de 2.000 toneladas e as corvetas de tecnologia stealth Tiger (Projeto 20382), os navios sobre colchões de ar Zubr (Projeto 12322) e Murena (Projeto 12061E) e os submarinos da Classe Kilo (Projeto 636), com capacidade de emprego de mísseis Club-S.

 

OUTROS PAÍSES


Da Ucrânia, a Antonov ASTC promoveu seus  transportes multipropósito AN-32, AN-38 e AN-74 e os regionais AN-140-100, birreator com capacidade para 52 passageiros e o  AN-148-100A/B,  para 75 passageiros, com 240 unidades vendidas em 14 países. A República Checa compareceu com 18 empresas, sendo as mais relevantes a Let Aircraft Industries, com seus aviões de transporte Let L-410 UVP-E20 e L-420 (certificados pela FAA), a fábrica de armas CZ (Ceska Zbrojovka A.S), com suas clássicas pistolas CZ-75 de 9 mm, subfuzís Skorpion Vz. 61E de 7.65 mm, fuzis de assalto SA Vz.58 de 7.62 x 39mm.  e o CZ -750 y CZ-750 S1 Sniper de 7.62 x 51 mm e a Zeveta Ammunition, especializada em granadas de mão, pirotécnicos e fumígenos, cargas de demolição e sistemas chaff-flares.

Outra forte presença foi a da Coréia do Sul, encabeçadas pela Associação da Indústria de Defesa Coreana. A KAI mostrou o treinador básico KT-1 em suas três versões e o T-50 Golden Eagle, além do A-50, uma eveolução para missões de ataque leve daquele treinador avançado.   Na área terrestre, a Doosan e a  Kia Motors também compareceream. A primeira produz uma série de veículos blindados sobre rodas, AIFVs avançados e sistemas antiaéreos. Já a KIA fabrica uma série completa de veículos motorizados militares e, há muitos anos, é provedora da Infantaria da Marinha do Chile.

Sabendo da alta demanda por veículos blindados sobre rodas na América Latina, a turca Otokar tratou de divulgar seu 4X4 Cobra, o qual pode ser encontrado em mais de oito modelos, em função de requerimentos específicos de clientes.   

O Peru fez-se representar por um dois dos mais importantes setores de sua Força Aérea: o Serviço de Manutenção (SEMAN-PERU) e o de Material de Guerra (SEMAG). O primeiro, próximo de comemorar seu 75º aniversário, continua abrindo-se rapidamente – através de seu  Programa de Aviões Comerciais e uma agressiva campanha de marketing – para o mercado aeronáutico regional e mundial. Suas capacidades de manutenções mais complexas, reparos de aeronaves, motores, serviços especiais e fabricação de partes e peças, referendadas por certificações de autoridades aeronáuticas de mais de uma dezena de países, combinadas a um alto nível técnico, vem lhe permitindo prestar serviços, principalmente, a operadores de aeronaves do tipo DC-8, DC-10 e L-100-20 Hércules. No âmbito militar, o SEMAN-PERU orientará seus esforços para a recuperação da capacidade operativa da FAP, priorizando os reparos nos  Antonov AN-32C Cline e L-100-20 Hércules. Nesse contexto, o SEMAN-PERU participará nos reparos maiores de um lote inicial de oito MiG-29S FulcrumC, -obtidos da Bielorrusia em 1996 - por um custo estimado de US$120 milhões. Segundo se informa, os trabalhos contarão com a assistência da RSK-MiG, durarão entre 18 e 24 meses e deverão melhorar consideravelmente os caças, extendendo sua vida útil para 40 anos. Outros três MiG-29SE, adquiridos diretamente da Rússia em 1998, receberão as atenções também para colocá-los em ótimas condições operativas já que estarão encarregados da vigilância do espaço aéreo durante a reunião de cúpula do forum de Cooperação Ásia-Pacifico (APEC), em Lima, em novembro deste ano.

O SEMAG deu a conhecer a obtenção da certificação – que se oficializará em  Farnborough, na Inglaterra, como oficina credenciada da Martín-Baker, para assentos ejetáveis do tipo Mk-8 (BR-8LC) e Mk-10, em suas versões IT-10F e F-10-GA. Entre seus potenciais clientes figuram a  Colômbia, país com que já começaram as conversações para a manutenção dos assentos dos T-27 Tucano, bem como Brasil e Paraguai. Desde já, o SEMAG confirmou sua participação na FIDAE 2010 com um estande próprio, onde apresentará auas capacidades de reparação de assentos ejetáveis, tanto russos como ocidentais, e de manutenção e modernização de armamento e reparos de visores noturnos Litton e ITT,assim como seus simuladores de tiro  para  armas  ligeiras  e  sistemas  MANPADS SA-16 Gimlet  (9K310 Igla-1E).

 

INDÚSTRIA CHILENA

A novidade mais importante apresentada pelo pessoal “de casa” veio da  FAMAE, graças ao êxito conseguido no Uruguai. Depois da recuperação “in situ” de 15 M-113 do Exército, levando-os ao padrão A2, foi iniciado o projeto ENU-MOWAG, para a recuperação integral de  40 Mowag Grizzly, adquiridos do Canadá pelos uruguaios. O primeiro exemplar foi entregue oficialmente durante a FIDAE, enquanto os outros 39 o serão até junho de 2009.

A SISDEF iniciou muito bem o ano com o contrato de modernização dos submarinos equatorianos da Classe 209. Ao mesmo tempo, a empresa continua a incorporação de seus sistema de Comando e Controle SP-21K nos navios da Esquadra. Quanto a trabalhos futuros, a SISDEF aportará o sistema de data-link nos Persuader. Para tanto, foi firmado um contrato com a  EADS-CASA, pelo qual o SP100 se integrará ao sistema FITS, o que permitirá o enlace de dados em tempo real com as plataformas de superfície e submarinos da Armada do Chile.

Os estalerios ASMAR, englobados no grande estande da Armada, continuam a contrução dos dois patrulheiros PZM e imediatamente iniciará, em conjunto com a DCNS, a modernização dos submarinos equatorianos. A ENAER enfatizou a capacidade técnica que já conseguiu alcançar. Hoje, a empresa chilena está apta a realizar intervenções reconstrutivas maiores em propulsores  J85, e trabalhar com aeronaves civis e militares. A ENAER conta com um hangar no aeroporto internacional de Santiago onde são feitas manutenções Check C em Boeing 707, 737 e MD-80. No aspecto militar, têm sido feitos trabalhos de maior vulto em C-130 Hércules da Colômbia, Equador, Uruguai e Bangladesh. Na área de produção, segue a fabricação do nariz do Eclipse 500, já tendo sido entregues mais de 250 enquanto que neste ano, mais 50 empenagens de ERJ 135/145, da Embraer, deverão ser também entregues. Estima-se que no futuro a ENAER poderá estender sua colaboração com a empresa brasileira, na fabricação das empenagens do novo transporte C-390.

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